EM LIBERDADE, 40 ANOS DE TELEVISÃO EM PORTUGAL

No dia 14 de dezembro de 2016, em plena sala Sophia de Mello Breyner, no Centro Cultural de Belém, a GEDIPE organizou a cerimónia de apresentação do livro “Em Liberdade – 40 Anos de Televisão em Portugal”. A efeméride contou com a presença de diversas personalidades ligadas à indústria audiovisual, às estâncias governamentais e à academia, que durante o serão daquela quarta-feira de outono reuniram-se em ilustre lugar para celebrar a memória de 20 personalidades ligadas ao médium televisivo, e que marcaram indelevelmente aquela plataforma que acabou por dar forma à cultura e sociedade portuguesa nos últimos 40 anos.

Essa apresentação, e em jeito de tertúlia, narrou alguns dos momentos marcantes da feitura do livro, que levou a que os autores do mesmo, especialistas contratados pela GEDIPE para o efeito, emergissem durante vários meses no maravilhoso mundo da “caixa mágica” televisiva, quer através das dezenas de entrevistas realizadas, quer pelos vastos arquivos consultados e até mesmo pelo saber de experiência feito, vetores esses que em uníssono criaram o fio condutor dos 10 capítulos que a obra contém. Esses, que vão desde o caldo primordial da génese televisiva nacional, imbuída do zeitgeist fascista e elevadamente paternalista, passando pela ficção disruptiva de certos programas de humor que alteraram significativamente o tom daquilo que era possível fazer-se e dizer-se em televisão, ou até mesmo do processo de star system que tornou acessível ao cidadão incógnito a ascensão a um estrelato mediático através dos reality shows, são todos episódios que estão presentes na obra “Em Liberdade” e que pretendem deixar um ponto de partida para futuras obras que venham a detalhar ainda mais as peripécias já auferidas pelo livro.

À posteriori os convidados tiveram ainda a oportunidade de degustar um jantar servido pela chef Catarina Silva, tendo depois tido a oportunidade de apreciar uma ópera erudita, mas dinâmica, pela companhia Ópera Buffa, que agraciou os ouvidos e o espírito, depois de os corpos já estarem nutridos.

Foi com grande satisfação que a GEDIPE proporcionou este momento de convívio e enlevo cultural e intelectual, e mantendo o desiderato de que mais eventos futuros venham prosseguir com a agradável tarefa de sedimentação do legado que é a cultura audiovisual e cinematográfica existente em Portugal.

A todos os que participaram, um grande bem-haja, pois é através do “nós todos” que os grandes resultados são alcançados.

António Paulo Santos